quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Carta para Mim: Medo

"O temor do Senhor é princípio da sabedoria;
todos os que cumprem os seus preceitos revelam bom senso.
Ele será louvado para sempre."
Salmo 111: 10

"Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma.
Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno."
Mateus 10:28


"Caro Eu,
Você tem tido medo das coisas erradas. Por exemplo, você é medroso ao enfrentar conflitos, sofrimentos ou quando perde coisas boas como respeito ou aceitação de determinadas pessoas. Isto é aceitável em uma perspectiva mundana, e são estas coisas que você tem medo de perder. Isso não significa que elas são ruins, mas são passageiras. Muitas das coisas que você valoriza são presentes de Deus, mas não duram nem supõem ser algo onde você encontrará sua identidade e esperança da eternidade.
O problema com esta quantidade de medos é que vai te levar por correntes mundanas ao invés de corrigir e desafiar as pessoas próximas a você. Isso irá te forçar a viver uma vida segura, livre de riscos ou perigos ao invés de estar disposto a fazer a difícil e “arriscada” escolha de seguir a Jesus em uma cultura que o rejeita. Isso o levará a alcançar os prêmios das boas dádivas de Deus, e se transformarão em ídolos que não serão fáceis de abandonar.
Você não precisa ter medo de nada, mas somente de seu Deus, com santa reverência. Esse “medo” é um aspecto da fé que corresponde a santidade, soberania e transcendência de Deus. Esta forma mais elevada é a que leva ao temor, adoração e cuidado de nossas vidas por causa do profundo conhecimento do Criador e Redentor. Por que sentir medo na sua vida se há um Deus Santo que perdoou os pecados de um homem impuro como você? O que pode ser tirado de você? Seus bens podem ser queimados, mas você tem tesouros no céu e é herdeiro do Reino de Deus. Sua reputação pode estar manchada, mas você é justificado em Jesus. Você pode ser rejeitado por aqueles que admira, mas você é aceito por Deus. Você pode ser odiado, mas seu Pai Celeste te ama com um amor incondicional. O que existe nesta vida para ter medo?
O medo que você precisa manter e cultivar é o temor de Deus, pois nele você adquire conhecimento e desenvolve força para se perseverar na fé até o fim."

sábado, 16 de julho de 2011

Medo


O medo é um dos ingredientes mais fortes da religião. Uma pessoa com medo é uma pessoa sensível, vulnerável, capaz de realizar práticas absurdas em busca de alívio e os líderes religiosos espertos como as serpentes perceberam isso a muito tempo.
Falamos da Graça de Jesus, mas o Deus punitivo sempre aparece em nosso roteiro, o medo nos acompanha desde a classe “cordeirinhos de Cristo”, quem não cantou:
Cuidado, olhinho, com o que vê! / Cuidado, olhinho, com o que vê! / O Salvador do céu está olhando pra você. / Cuidado, olhinho, com o que vê! Cuidado, boquinha, com o que fala! / Cuidado, boquinha, com o que fala! /O Salvador do céu está olhando pra você. / Cuidado, boquinha, com o que fala! Cuidado, mãozinha, no que pega! / Cuidado, mãozinha, no que pega! /O Salvador do céu está olhando pra você. / Cuidado, mãozinha, no que pega! Cuidado, olho, boca, mão e pé! / Cuidado, olho, boca, mão e pé! / O Salvador do céu está olhando pra você.
Imagine uma criança desenhando em seu coraçãozinho esse Deus? Depois não sabemos porque tantos cristãos tem medo de Deus e porque os adolescentes ligam Deus automaticamente a palavra NÃO…
As pregações motivam a viver longe do pecado por causa do grande olho divino e não pela beleza de viver em busca de valores integros e éticos.
Que pena, poderíamos gerar pessoas bonitas, mas por enquanto são apenas medrosas.
Que pena, poderíamos gerar homens e mulheres que vivessem com o coração em Deus, cientes de seu amor impulsionados a mudar realidades, mas o que temos são pessoas tristes fazendo campanhas para alcançar benefícios. Que pena.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Siga seu coração?

O popular mantra “siga seu coração” assume que nós temos uma bondade inerente dentro de nós, e que nós precisamos apenas expressar isso às outras pessoas.
John Keats, poeta romântico inglês, escreveu: “Eu de nada tenho certeza, a não ser da realidade das afeições do coração e da verdade da Imaginação.”
E quem não se lembra do desenho “Ursinhos carinhosos”, que  usavam poderes vindos do coração para derrotar o vilão “Coração Gelado”?
Na verdade, Jesus trouxe algumas más notícias no que diz respeito ao que vem do coração humano: pensamentos vis, imoralidade sexual, roubo, homicídio, adultério, falso testemunho, ganância, malícia, dissimulação, lascívia, inveja, fofoca, arrogância e frivolidades (Mateus 15.17-20; Marcos 7.20-22). Ele conclui, “Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem ‘impuro’.
Em Gálatas 5.17-21, Paulo segue a linha de Jesus e nos diz que é inerente a nós a imoralidade sexual, impureza, sensualidade, idolatria, feitiçaria, inimizade, conflito, ciúmes, ira, rivalidade, dissensão, divisão,  inveja, embriagues, orgias e outras coisas desse tipo.
O Fruto do Espírito
Após fazer uma lista de desejos pecaminosos, Paulo procede e lista os Frutos do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, mansidão, fidelidade e domínio próprio. O fruto do Espírito não nos é inerente, mas é trabalhado em nós pelo Espírito Santo.
O coração natural do homem produz um tipo de desejo, e o Espírito produz outro tipo ao nos dar um novo coração. E eles se opõem. Moitas não produzem laranjas. Grama não produz maçãs. E o coração humano não consegue produzi naturalmente o fruto do Espírito.
Enganos
Infelizmente, alguns Cristãos tratam o fruto do Espírito como uma nova lei – metas que precisamos nos esforçar para atingir com nossas próprias forças. Não é isso que Paulo quer dizer. O fruto do Espírito é trabalhado pelo Espírito, não por nós. Essa é uma mensagem de grade esperança, não de resignação pessimista. O fruto do Espírito é algo que podemos pedir a Deus e esperar que ele nos dê. O fruto do Espírito é a esperança pelo agir de Deus em nós; não é um dever a ser cumprido. O fruto do Espírito é uma antecipação do que Deus pode fazer por nós; não é uma expectativa moral com ameaça de punição. O fruto do Espírito é Deus matando partes de nós para transformá-las – cortando para curar, destruindo para reconstruir. O fruto não é nossa dedicação a nossas intenções piedosas.
Se é Deus quem trabalha em nós a o querer e o efetuar de acordo com sua bondade (Filipenses 2.13), então porque nós começamos com o Espírito e na realidade, tentamos atingir nossos objetivos por nossas próprias forças (Gálatas 3.3)?
Como você demonstra seu amor quando sente ódio por seu (sua) ex? Ou pela pessoa que te ofendeu? Ou aquele seu amigo egocêntrico e chato?
Como você demonstra alegria quando está paralisado pelo medo e pela insegurança?
Como você encontra paz quando está cheio de preocupações sobre seu passado, presente, ou futuro?
Como você mantém a paciência quando você acorda no meio da noite, cheio de uma ansiedade tão grande que você consegue até sentir no próprio corpo?
Como você age com bondade quando há tantas pessoas que agem como se fosse seus inimigos?
Como você age com mansidão quando percebe que os mais mansos são normalmente pisados como pano de chão?
Como você age com bondade quando a maldade surge mais naturalmente e parece ser mais recompensadora?
Como você mantém o domínio próprio quando seu desejo pelo prazer imediato parece tão fora de controle?
Transformação
Por nós mesmos, não somos capazes de nenhuma dessas coisas, pois o fruto do Espírito é um agir de Deus em nós, não um plano de ação para eliminar o pecado e atingir a santidade. Não precisamos de um ajuda do Espírito Santo combinada com nosso “esforço espiritual”. Precisamos que o Espírito nos transforme. Precisamos que o Espírito nos dê um novo coração, com novos desejos e afeições: “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!” (2 Coríntios 5.17).
O fruto do Espírito é o fruto da fé e do arrependimento, não uma auto-determinação espiritual. O fruto do Espírito é a esperança de que Deus vai fazer o que prometeu: restaurar o que foi destruído, ser fiel quando você não é, e agir com poder em tempos de fraqueza.
Justin Holcomb é o Diretor Acadêmico do centro de treinamento do The Resurgence
Traduzido por Filipe Schulz